Era poesia e não sabia...
Aquele sentimento preciso
Que fazia das coisas insignificantes
As mais importantes
Enxergava mais que a maioria:
A moça no ponto
A lama na rua
O esgoto aberto
O velho sofrido
Mas da forma como ele via
Tudo era poesia...
O vento forte
Espalhando o lixo
A chuva fina, que dava melancolia
A casa destelhada
Da chuva forte
A mãe chorando,
A falta da comida
A fome que sentia
Virava poesia,
mas ele não sabia...
Cresceu, seu destino mudou
Mas continuou valorizando
O que ninguém nunca olhou
A estrada comprida
Que não sabia onde ia
convidava ao passeio
numa fuga da vida
Mas ele via poesia
Onde nada mais existia...