terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Lápide

Se durante a vida, apesar do medo
de todos os perigos e incertezas,
alguém conseguiu se entregar a um momento de amor,
por um minuto que seja,
será então a sua redenção!
Poderá ter sido o único na vida;
poderá restar feridas
poderá passar uma eternidade na solidão,
a amargar momentos de tristeza,
mas nunca o arrependimento baterá em seu coração...
se o amor foi verdadeiro.
Então essa pessoa, no momento derradeiro,
em que a vida se esvai,
antes do calvário, ali onde jaz,
num último suspiro ao olhar para trás,
aquele único momento de amor 
que o passado lhe traz 
sentirá que a sua vida valeu a pena;
e se ainda puder expressar uma palavra,
dirá que viveu,
e sua alma seguirá em paz.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

A liberdade é a morte

Saudade de mim, do que eu era; ou do que eu pensava ser. 
Saudades do que eu sonhava para a vida de hoje. 
Em que pessoa me transformei? 
Queria ser livre, mas liberdade é apenas uma palavra, 
cujo significado subjetivo ainda me faz buscar por algo além dela. 
Quando acaba a busca, se acaba a vida e, enfim,
a liberdade chega com asas pra te levar...
A liberdade é a morte sorrindo com dentes de algodão.

Um tempo atrás

Naquele tempo havia flores
Flores brancas e amarelas
Flores do cerrado
Lembro bem das borboletas
Suas asas eram frágeis
Elas enfeitavam o horizonte
Mas a mim pareciam monstros
Eu tinha medo das borboletas...
Andava pelo cerrado, com minha mãe
Para ela era trabalho,
Para mim diversão
Ia alegre e contente,
Por entre os matinhos e veredas
Catando as flores que via
espalhadas pelo caminho
Eram presentes para minha mãe!

Enchia os baldinhos com água
Enquanto a roupa ela lavava
Íamos longe porque na casa não havia água
Naquela época tudo era difícil
Mas para mim, na inocência,
Tudo era diversão.
Lavar roupas 
Era brincar com água e sabão!
Lembro também da escuridão
Pois na casa não tinha luz
Apenas a vela iluminava
E quando a noite chegava
Eu gostava de pensar que a vela chorava
A cera da vela para mim eram lágrimas
Que escorriam quentes
Não sabia que diversas noites
Havia lágrimas de verdade
Escorrendo quentes dos olhos da minha mãe...
Eu não sabia...

A casa era feita de tábua
E o piso era de chão
A rua era escura, mas não assustava
Como hoje, apesar de toda iluminação.
As coisas de que mais lembro da infância
São as brincadeiras de criança
Nós não tínhamos televisão
Eu brincava de cantar
Meu palco era feito de pedra
E meu microfone era a colher de pau
Assim passavam-se os dias
Minha mãe a labutar pela vida
Preocupada com a pobreza 
Que eu ainda não percebia
No meu pequeno mundo de criança. 
Onde tudo era diversão!

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Tentativa de Homicídio (2)

O tempo não matou a saudade
Nem eu e nem você
Ninguém matou a saudade
Ela que, numa tentativa de correr atrás da felicidade,
Disse adeus ao Passado e morreu.
Não sabia que o Presente não sente saudade,
Afinal, ele nunca a conheceu.
O Futuro não conhece o Presente e nem o Passado,
Tampouco sabe da existência da saudade...
Foi o presente que matou a saudade ou o passado
Que não sobreviveu?
Somente no dia em que o Presente conhecer o Passado,
Será vivo novamente o sentimento chamado Saudade!

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Sobrevivência

Quando a dor for inevitável, 
melhor mergulhar em seu âmago 
e fazer do sofrimento
o estado normal da vida.

Não se faz isso com a felicidade?
Por que foi ela eleita a principal?
O sentimento que deve prevalecer
Em todos os momentos da vida?

Se não consegue ficar  presente 
Não sendo forte suficiente
Deveria ser secundária
Aparecendo ocasionalmente,

E não o elemento principal
Que se busca constantemente.

Por isso a sugestão:
Que a dor seja a nossa redenção
E a Felicidade, se houver, 
apenas uma ilusão!

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Delírio

Ainda ontem era "hoje"
E o tempo vai passando sem que se compreenda
o seu passeio pelas horas, 
quando, de um momento a outro, 
em um piscar de olhos,
toda realidade se transforma.
O que deseja o tempo,
com essa calmaria sombria?
Vai passando sutilmente,
misturado às tarefas da vida
até que um dia sua presença surpreende
E um rosto desconhecido, mas familiar
refletido no espelho surge em nossa frente...
Ele nos dá conta do tempo
Não desse tempo presente,
em que o espelho descortina a verdade de si mesmo,
Num retrato mais fiel e eficaz
que a tecnologia atual,
Não, essa imagem no espelho
não reflete o tempo presente,
ela reflete verdadeiramente
o tempo que se perdeu!




Eternidade

Não se engane,
o amor não o acompanhará,
por mais intenso que seja;
por mais sagrado;
por mais profano;
por mais sincero e verdadeiro;
por mais que lute e deseje;
por mais que renuncie a si mesmo;
por mais que enlouqueça...
Não se engane ele irá embora.
Por mais que relute;
por mais que se entregue;
por mais que dure,
por mais que chore, 
um dia ele partirá...
Por mais amor que seja
Ele será apenas uma lembrança,
para sempre, 
apenas uma doce lembrança.