Flores brancas e amarelas
Flores do cerrado
Lembro bem das borboletas
Suas asas eram frágeis
Elas enfeitavam o horizonte
Mas a mim pareciam monstros
Eu tinha medo das borboletas...
Andava pelo cerrado, com minha mãe
Para ela era trabalho,
Para mim diversão
Ia alegre e contente,
Por entre os matinhos e veredas
Catando as flores que via
espalhadas pelo caminho
Eram presentes para minha mãe!
Enchia os baldinhos com água
Enquanto a roupa ela lavava
Íamos longe porque na casa não havia água
Naquela época tudo era difícil
Mas para mim, na inocência,
Tudo era diversão.
Lavar roupas
Era brincar com água e sabão!
Lembro também da escuridão
Pois na casa não tinha luz
Apenas a vela iluminava
E quando a noite chegava
Eu gostava de pensar que a vela chorava
A cera da vela para mim eram lágrimas
Que escorriam quentes
Não sabia que diversas noites
Havia lágrimas de verdade
Escorrendo quentes dos olhos da minha mãe...
Eu não sabia...
A casa era feita de tábua
E o piso era de chão
A rua era escura, mas não assustava
Como hoje, apesar de toda iluminação.
As coisas de que mais lembro da infância
São as brincadeiras de criança
Nós não tínhamos televisão
Eu brincava de cantar
Meu palco era feito de pedra
E meu microfone era a colher de pau
Assim passavam-se os dias
Minha mãe a labutar pela vida
Preocupada com a pobreza
Que eu ainda não percebia
No meu pequeno mundo de criança.
Onde tudo era diversão!
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