quinta-feira, 28 de junho de 2012

Alívio

Agora que partistes, posso descansar.
Já não ouço o murmúrio dos lamentos deixados na minha escrivaninha.
Já não faço mais poesia... 
O amor me deixou. 
Deixou-me. Estou sozinho. 
Mas o sol nasce feliz e iluminado, 
apesar da solidão de cada dia...
Quando a chuva permite!

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Poesia não tem preço

A propaganda na TV
num ato inusitado de inspiração
rouba a cena da programação
e pergunta poeticamente
Numa voz suave que diz:

“O que faz você feliz?"

A resposta revela sutil
felicidade é feita de coisas
compráveis em supermercado:
a família unida
o abraço apertado
o arroz com feijão
e o macarrão tem um preço
segundo o comercial quis.

Então quem não tem o dinheiro
não sabe o que é ser feliz?
Está nas entrelinhas,
porque isso o poeta não diz.

A outra propaganda, em estilo
"Master" confirma:

“... Porque ser feliz não tem preço”
“... Porque a vida é agora”

O valor alto da fatura no fim do mês não importa
quando o resultado é a felicidade do agora.
Porém de qual felicidade se trata
o comercial não diz,
mas logo alguém descobre infeliz
trata-se de uma felicidade efêmera, ilusória e cruel...

A poesia que na tela embeleza o capitalismo
é a mesma que suaviza a dor
de quem não possui os tostões necessários
para pagar o preço,
de saber a resposta da pergunta que diz:
“O que faz você feliz”?