num ato inusitado de inspiração
rouba a cena da programação
e pergunta poeticamente
Numa voz suave que diz:
“O que faz você feliz?"
A resposta revela sutil
felicidade é feita de coisas
compráveis em supermercado:
a família unida
o abraço apertado
o arroz com feijão
e o macarrão tem um preço segundo o comercial quis.
Então quem não tem o dinheiro
não sabe o que é ser feliz?
Está nas entrelinhas,
porque isso o poeta não diz.
A outra propaganda, em estilo
"Master" confirma:
“... Porque ser feliz não tem preço”
“... Porque a vida é agora”
O valor alto da fatura no fim do mês não importa
quando o resultado é a felicidade do agora.
Porém de qual felicidade se trata
o comercial não diz,
mas logo alguém descobre infeliz
trata-se de uma felicidade efêmera, ilusória e cruel...
A poesia que na tela embeleza o capitalismo
é a mesma que suaviza a dor
de quem não possui os tostões necessários
para pagar o preço,
de saber a resposta da pergunta que diz:
“O que faz você feliz”?
toda acidez da minha amiga flor de lis ... muy bueno chica !!!
ResponderExcluirMaria Helena! Você se superou nessa! Sintetizou bem tudo que pensa sobre a face cruel do capitalismo, que vende ilusões a quem pode pagar e transforma em pesadelos os sonhos dos menos favorecidos! Mas o que me faz feliz?! VOCÊ e sua veia poética!!!!!
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