quarta-feira, 25 de julho de 2012

Estróina

Um copo
um conhaque
uma música
um cigarro
um corpo
um olhar
em uma mesa de bar
e a garantia de companhia,
até a noite acabar...
Manhã triste
sono
ressaca
fome
dor
solidão
e desejo
de a noite logo chegar
de outro corpo encontrar
e tudo recomeçar!

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Estilo de amargura

Meu verso segue livre, sem métrica
Para que servem as regras, se a vida segue em vão
Aleatória em caminhos tortos
A desafiar meu sentimento e minha emoção?

Se meu verso fala de minha vida
Ele dispensa então um rumo
Uma vez que ela nunca teve uma rima
Que me harmonizasse com o mundo

Sempre recebi de presente
Dissabores amargos pelo caminho
Por isso meu verso é persistente
Em falar de desamores e falta de carinho

A vida que em mim viveu apagada
Reflete a história contida em meus versos
Coadjuvante, na retaguarda
a almejar o universo

Só entenderá o sentido do que escrevo
Aquele que passa pela vida a procura de uma razão
Com a sensibilidade exata de ver o que anda expresso
No mais íntimo de uma pessoa, dentro do coração

Por isso meus versos não possuem estilo
Pois sigo perdido no meio do nada
Além dos sonhos que cultivo
Nessa minha triste história de vanguarda

Sonho ficar vivo por estes versos
Que permanecerão enquanto eu já tiver partido
E eu, estando com a morte, a sós
Verei que eles continuarão sendo lidos

Só assim vou poder morrer
Permanecendo vivo para alguém
Alguém que ainda viva a sofrer
Nessa triste sina também!

O horizonte ao longe anuncia

Pretendia transformar o mundo,
mas sua inteligência era limitada.
Não compreendia bem as contradições da história
e os contrastes da realidade o assustavam
percebeu que a tarefa era difícil demais
e achou melhor acomodar os pensamentos
e se conformar com os acontecimentos...
Mas as inquietações da vida persistiam em o acompanhar
Vivia angustiado, sem horizontes a vislumbrar
então resolveu que precisava algo transformar
e o marasmo afugentar
talvez mudar a si mesmo pudesse lhe salvar
mas vivia dentro de um mundo concreto demais
onde as idéias pré concebidas eram conceituais
enraizadas nas profundezas do inconsciente
tornando-o um ser incapaz e descontente
Então num ímpeto de loucura
resolveu de um abismo se jogar
e quem sabe a reposta encontrar.
E eis que no trajeto entre o espaço que caía
e o chão que surgia
o sentido de sua busca cessaria
pois a resposta lhe surgia de repente
como se o vento descortinasse sua mente.
Percebeu que seu amor pela vida existia;
compreendia sua dimensão naquele milésimo de segundo
como um moribundo a espera do instante derradeiro
em busca de uma cura milagrosa.
Sabia agora que estar vivo bastaria.
A vida que nele pulsava seria suficiente,
para transformar tudo que o fazia descontente
só precisava tê-la a palpitar, infinita em suas mãos
Descobrira o valor da sua existência
Em si mesmo residia a resposta
Contraditoriamente, era sua inquietação
a única capaz de todas as transformações,
era o motor impulsionador de todas as mudanças
Porém, o abismo em que pulara
do chão rapidamente o aproximava
em uma velocidade tão intensa
que dele nada mais sobrara,
Nem mesmo o pensamento,
que sua vida transformara.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Choque de realidades

Não me siga,
por onde ando você não consegue me acompanhar.
Sou dos guetos periféricos e assombrosos,
das masmorras e dos muros pichados.
Passeio por entre os perigos,
sem temer a escuridão das noites frias...
Não, você não conseguiria ver o que vejo
e nem saber o que acontece
por dentro das periferias...
Convivo com o inimigo
que esqueceu de ser menino

e decidiu ser bandido,
talvez porque assim consegue ser ouvido
e até mesmo temido.
Na cadeia é humilhado,
mas lá fora faz um estrago,
manda a pessoa ajoelhar e implorar por sua vida,
a mesma vida que ele perdeu,
passando a odiar a sociedade a qual nunca pertenceu.
Ele mataria alguém por menos de um real
pois a estimativa de valor que faz
é o valor que a sua vida tem
de não valer nada pra ninguém.
Estou no meio da escória,
no meio de quem já perdeu a humanidade
por saber que o resto da humanidade,
há muito tempo dele se esqueceu...
É através dessa realidade que eu enxergo,
por isso você não consegue me acompanhar,
exige de mim um sorriso que eu não consigo dar.
Uma alegria difícil de expressar.
Talvez porque ao longo desse caminho
também passei a odiar.
Odeio toda desigualdade e injustiça,
toda impotência diante da realidade
que eu não consigo mudar.
Por isso fique distante de mim
por que eu também passei a odiar.
Sou incapaz de ver esse mundinho perfeito
que você insiste em me apresentar,
de casaizinhos bonitos saindo para jantar,
de pais e mães sorridentes indo viajar.
de crianças alegres em um parque a brincar.
Não, eu não faço parte desse mundo,
meu mundo é feito de outras realidades
Que você jamais iria suportar.
Fique longe de mim, não tente me mudar,
se estou doente, não há como remediar.
Fique longe de mim, assim quem sabe
eu possa um dia me reinventar!